Estreia a peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo em Guarulhos

Nitrido significa Ato de Relinchar

Dia 13 de maio, quarta-feira, estreia a peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo no Céu Três Pontes em Guarulhos. O espetáculo segue em turnê depois, Cidade Tiradentes, Santo André e Teatro Arthur Azevedo. Dramaturgia e Direção Cênica de Laís Cafari. O espetáculo provoca uma identificação territorial com a beleza da cena dramática, o teatro existindo nas bordas e nas bordas encenadas. Grátis!

Peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo – Foto David Rodrigues.

Sinopse: a peça intenciona ocupar as margens como movimento que ganha espaço, e que expande territórios. Os atuadores Jefferson Silvério, Dante Preto, João Carlos, Abraão Kimberley e o rapper Janderson Fundação iniciam na plateia com o brilho de sua encenação, proporcionando ao público uma pequena proporção da experiência do que seria estar nas “margens” de forma ativa. Instrumentos musicais compõem a encenação trazendo rezas e batuques.

Nitrido significa Ato de Relinchar e esse nome não foi escolhido à toa. Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo nasce da periferia, das margens e é na borda que a encenação acontece.

Laís Cafari fez uma ampla pesquisa sobre a alimentação na periferia, com foco em sua região, no Jardim Romano, onde a falta de tempo e dinheiro dificulta a ingestão de alimentos frescos e feitos na hora, como frutas, verduras, legumes e a absorção maior de ultraprocessados, mais baratos e mais práticos para o consumo. Também as frutas, verduras e legumes que chegam na periferia nem sempre tem o mesmo aspecto que bairros nobres.

No palco, os atores retratam os cavalos com uma intensa coreografia em meio aos alimentos, caixas de feira, objetos de locomoção.

O EU corpo- humano, tem uma forte presença de cena, assim como o corpo-cavalo ambos sendo revezado por todes atuadores do drama, assim como as luzes brincando com o que é o atuador, o que é o cavalo e o que é o público. O lugar do “palco” será o centro, ocupado por lixos em montanhas no breu, que apenas é revelado no segundo ato. A ocupação do espaço é uma composição com a dramaturgia, pois a estética e o território é o próprio drama encenado. Encenamos as margens periféricas não só em palavras, mas com os rappers, mandando a letra ao vivo, os tambores, o trompete, o corpo negro e indígena, a pele exposta, a pichação.

Essa justificativa está sendo narrada, pois a vivenciadora em pesquisa territorial tomou para si a própria narrativa. “Cavalo” é uma dramaturgia que deriva da vida e o olhar sobre ela. Como se aprende com a rua: não é possível trabalhar sozinho. Assim, a montagem dessa peça possibilitou juntarmos narrativas com vozes ativas, sendo de fato a própria voz, o corpo em cena a estrutura do drama, da música, a estética, o figurino, a produção, a direção. Nos juntamos como potências para criar e falar de políticas, de direitos, de territórios roubados, e de terrenos semeados.

Cavalo: “Chegamos até aqui, o rio é a borda desse bairro e a linha férrea também. Navegando por esses espaços chegamos até o lado de cá. Cestas básicas foram nos oferecidas com bastante óleo de soja e açúcar refinado, entupindo nossas veias, deixando nossos batimentos cardíacos cada vez mais lentos”, de Laís Cafari.

Estamos escolhendo o seu teatro para fazer nossa feira, para desmontar nossa cerca e na relação com espaço relinchar também a palavra textual que nesse momento, chamamos dramaturgia, mas que, no texto, chamamos de portal. Nosso povo tem morrido pela boca, ingerindo aquilo que nunca se estraga, mas é também pela boca que enfeitiçamos. Se a palavra é o alimento da alma, a cena alimenta nosso desejo.

É pelo desejo de comer que a gente alimenta a visceralidade que é emoção, que é teatro. Estrear nesse espaço nos traz a dimensão da corrida contra o vento, da corrida pelo vento a favor da pele, onde correm bolas e os pés desachuteirados e patas deferidas. Esperamos que o olhar de quem nos assistir possa invadir a realidade com o sonho da corrida voluntária. Crianças, adultos, cavalos, éguas e potros em velocidades trotadas. Nossas subjetividades foram unidas da forma mais originária, em uma esquina de quebrada, junto aos postes, aos troncos e raízes. Como exemplo dessa parceria, a escrita desse texto pôde ser desenvolvida no projeto “Jardim de narrativas” do Coletivo Estopô Balaio, que proporcionou espaço para que sementes pudessem brotar e nutrir o território, com a criação da dramaturgia “Cavalo”. Do encontro do texto com a produção, nasce a criação “Morango sem doce” um grupo-esquina que inicia sua trajetória dos encontros de duas estudantes da cena na F26 da Escola livre de Teatro de Santo André, Laís e Trinity desenvolveram juntas o projeto Cavalo, contemplado pelo ProAC 2025. Que hoje tem como propósito a estreia junto a uma temporada de Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo.

Laís Cafari, nascida, criada e crescida na periferia do extremo leste de São Paulo, especificamente no Jardim Romano, território de Ururay. Desde cedo, envolvida nas cenas artísticas de rua, atuadora compondo ativamente como parte do elenco de “Reset Brasil”, um espetáculo itinerante do Coletivo Estopô Balaio que percorre as ruas de São Miguel Paulista. Se reconhecendo como pessoa originaria em retomada, ganhando essa identificação através do seu trabalho e da arte, circulando pelos espaços culturais da Grande São Paulo e colaborando com o coletivo Estopô Balaio na intervenção provocativa “Algum desses é seu parente?”. Paralelamente, participou da oficina “Cinema no Romano – Oficina de Elaboração de Projetos de Curta-Metragem”, promovida pela Arenga Filmes, onde está desenvolvendo seu primeiro roteiro intitulado “Na Faca”. É criadora da dramaturgia de “Cavalo”, um projeto originado no edital Jardim de Narrativas do Coletivo Estopô. Cia Livre Cia Livre – Marcha Das Mulheradxs no Período: 2024 – 2025 atuante da residência artística no projeto Marcha das Mulheradxs representando o Coletivo Estopô Balaio. Atualmente, está aprendiz do quarto ano na Escola Livre de Teatro de Santo André, integrando o corpo discente da Formação 26 e participando ativamente como parte do Grupo de Produção Geral do “Sarau da Permanência”, um evento idealizado e realizado pelas aprendizes da escola. Gravação do filme tamanduateí: rio de muitas voltas no meio de 2025. Anteriormente, dedicou mais de seis anos ao Teatro Vocacional no Céu Três Pontes, onde recebeu orientação de diversos artistas orientadores. Essa jornada enriquecedora proporcionou participar de projetos de conclusão de curso que circularam pela região, proporcionando suas primeiras experiências como atriz em formação. Diretora do espetáculo de teatro Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo. “Desejo continuar a contribuir de maneira significativa para a cena cultural e artística, expandido novas formas de expressão e ampliando meu território e repertório criativo”.

Ficha técnica

Dramaturgia e Direção Cênica: Laís Cafari.
Assistente de direção: Lúcia Kakazu.
Elenco: Abraão Kimberly, Dante Preto, Janderson Fundação, Jefferson Silvério, João Carlos.
Coordenação de Produção: Trinity.
Assistente de produção: Jessica Oliveira.
Provocação corporal: Verônica Corpo Santos, Nina Giovelli e Rafael Oliveira.
Coreografa: Claudiana Honório.
Preparação corporal: Gisele Calazans.
Preparação vocal: Tâmara David.
Cenógrafo: Wanderley Wagner da Silva.
Figurinista: Mara Carvalho.
Designer: Melissa Centurion.
Nutricionista: Melissa Tarrão.
Acessibilidades: Regiane Eufrausino.
Fotógrafo: David Rodrigues.
Assessoria de Imprensa: Miriam Bemelmans.

Serviço

Peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo
@cavaloteatro

13 (uma apresentação) e 14 (2 apresentações) de maio, quarta e quinta-feira

Céu Três Pontes
Rua Capachós, S/N – Jardim Celia, São Paulo – 08191-330

15 de maio, sexta-feira, às 19h

Teatro Conchita de Moraes – Escola Livre de Teatro
Praça Rui Barbosa, 12 – Santa Terezinha, Santo André – 09210-620

29 de maio, sexta-feira (duas sessões)

Céu Barro Branco
Rua Numa Pompilio, S/N – Conj. Hab. Barro Branco II – Cidade Tiradentes – 08473-572

Junho

12, sexta-feira, às 21h
14, domingo, às 18h

Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo – 03115-020

Classificação indicativa: Livre

Duração: 90 minutos

Grátis!

Link com Fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1sU2XnzzR3p2Nucey_d9G0PEBG21VZLoT?usp=sharing

Assessoria de imprensa
Miriam Bemelmans

miriam@bemelmans.com.br
(11) 99969-0416
https://www.bemelmans.com.br
Instagram: @mbemel

Sócia-diretora da Bemelmans Comunicações, empresa de assessoria de imprensa. É formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero de São Paulo. Fez Curso de Assessoria de Imprensa para empresas em momentos de crise.
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